Refletindo sobre mulheres na computação e comunidades tóxicas

Se você participa de algum canal no Telegram, Twitter, Facebook e outros, você talvez tenha visto sobre ataques a uma mulher e logo depois todo um grupo de apoio da comunidade de um membro do Telegram, se não, fica aqui o um Twitter falando sobre: https://twitter.com/jesstemporal/status/877658474519384064?s=09
Antes, um recado:
Se você entrou nesse post e tem o pensamento de que mulher não pertence a computação por qualquer impedimento que você acha que exista, peço que venha comigo e analise os seguintes pontos:
- Você utiliza alguma linguagem orientada a objeto? Parabéns, você utilizada uma linguagem que foi inspirada na Smalltalk, que adivinhe? Teve co-autoria de uma mulher Adele Goldberg, seu Java, C++, Ruby, tudo isso nasceu dessa linguagem.
- Gosta de eletrônicos? Uma das maiores responsáveis pela popularização desses é Limor “Ladyada” Fried que fundou a loja AdaFruit e tem tornado cada vez mais acessível o movimento hacker sobre esses dispositivos.
- E por falar da Ada, como não falar da primeira pessoa a escrever um algoritmo que foi processado por uma máquina? Nossa querida Ada Lovelace foi uma matemática que inspirou e inspira muitos até hoje, existe até uma linguagem em sua homenagem.
Resumindo, o terreno que estamos foi construído por tantas mãos, e dentre elas existem muitas mulheres, eu citei três exemplos famosos, mas temos outros não famosos. Eu aprendi a programar com uma professora mulher, quando quis aprender Rails, aprendi no RailsGirls, conheço pessoas geniais que são mulheres e elas são tão capazes quanto qualquer um de nós. Avalie um pouco seu pensamento, ainda está em tempo de mudar, a mudança é um processo demorado de auto-correção contínua, mas no fim ela vale a pena.
Sobre o caso:
Tivemos resposta incríveis e uma ação da comunidade que foi muito bem orquestrada, parabenizo todos que participaram e principalmente aos que criadores do grupo novo. Aposto que essa iniciativa irá atrair muito todos que quiserem compartilhar conhecimentos de forma horizontal e sem agressões.
Sobre o causador de tudo temos algumas lições a tirar, ele não estava defendendo uma opinião política, o que ele fez foi pura e “simples” agressão, ele possui problemas sociais claros, a falta de empatia quando ele (e o próprio grupo que ele estava) não foram capazes de compreender que aquilo não era brincadeira e sim algo extremamente ofensivo. Apesar dele ter sido irredutível sobre os pensamentos dele (mesmo após todas as tentativas), nós torcemos que ele possa aprender com o que foi dito e venha se desculpar em público, se comprometendo a colaborar com uma comunidade inclusiva.
Nota pessoal:
Se você, assim como eu, não teve participação direta nesse caso, não expressou sua reação, não mostrou indignação, peço que, a partir de agora, passemos a nos posicionar sobre esse assunto. Nós temos que mostrar que existe uma comunidade não tóxica, temos que mostrar que é possível que haja diálogo, que haja aprendizado não vertical e sem ofensas, e que quando virmos casos como esse não sejamos mais um para a massa calada. Precisamos mudar nossas nossas atitudes, e será questão de tempo até muitas das comunidades tóxicas só conterem aqueles que as envenenam e os que querem aprender se “converterem” às comunidade voltadas ao aprendizado.
Acredito que muitos nesses grupos omitem suas opiniões não porque concordam, mas porque não sabem que existe outro caminho, exemplos como esse novo grupo criado são excelentes para esses casos, e demonstram a força que podemos ter.
Obrigado aos que leram, estou aberto a qualquer tipo de crítica pois eu mesmo estou no processo de reconhecer meus erros.
Referências:
- Esse post foi inspirado na ideia e na resposta do André Garzia
- RailsGirls — http://railsgirls.com/
- Mulheres na computação — https://mulheresnacomputacao.com/
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